"Obsessão", de Carla Faour, estréia no Teatro Glaucio Gill, RJ

Peça de Carla Faour, sob a direção de Henrique Tavares, que estreia no dia 04 de maio no Teatro Gláucio Gill, aprofunda a pesquisa sobre o folhetim e o melodrama


O amor absolve tudo? O amor é culpado de tudo? O questionamento é levantado em determinado momento do espetáculo “Obsessão”, patrocinado pela PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO através do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro), que reúne noelenco os atores Ana Baird, Antonio Fragoso, Carla Faour, Celso Taddei e Daniel Belmonte, sob a direção de Henrique Tavares. A trama mostra do que uma ex-amigaé capaz ao tentar de todas as formas, e ainda contar com algumas armadilhas do destino, para se vingar de uma traição. Livia e Marina são amigas inseparáveis, confidentes, inúmeras afinidades, com um belo futuro pela frente. A amizade começa a desandar quando Livia se apaixona por Marcelo e engatam o namoro. Marina torna-se testemunha ocular da felicidade da amiga. E, de tanto ouvir Lívia enaltecer as qualidades do rapaz, descobre-se também apaixonada por ele. A peça faz parte da programação da ocupação Complexo Duplo no Teatro GláucioGill, que é da Secretaria de Estado de Cultura. 

"OBSESSÃO" é um texto original e inédito, que nasceu e foi, totalmente, escrito nas páginas do www.dramadiario.com. O Drama Diário é um site pioneiro, formado por sete dramaturgos, com forte atuação na cena contemporânea carioca. Lançado em maio de 2008, o site, hoje, conta com mais de 500 textos publicados, tornando-se o maior acervo dramatúrgico inédito da web. Em 2011, o site foi reformulado com uma nova proposta: Produzir dramaturgia em série. Ao invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançaram ao desafio da continuidade. Desenvolveram sete histórias diferentes, publicando um capítulo por semana. O formato teve grande êxito. As visitas ao site triplicaram e a participação dos internautas aumentou sensivelmente.  Desta forma “Obsessão” foi escrita. Os internautas puderam acompanhar, durante quatro meses, os 15 capítulos da história. Enviaram sugestões, comentários, tornaram-se parte importante do processo. O texto fragmentado explorou elementos do melodrama,  experimentando novas possibilidades para o folhetim. A experiência douso da internet como suporte promoveu o diálogo entre o passado e o presente, fazendo uma releitura do gênero.  A proposta foi tão bem sucedida que reforçou a idéia inicial: escrever uma obra virtual que, posteriormente, fosse encenada. "Obsessão” saiu das páginas da web para o palco. Carla Faour faz parte do Drama Diário junto com Camilo Pellegrini, Felipe Barenco, Henrique Tavares, Leandro Muniz, Renata Mizzrahi e Rodrigo de Roure.

A peça tem uma narrativa elíptica e não linear. A ordem cronológica das cenas é subvertida a todo o instante. A vida das duas mulheres é repassada em ritmo vertiginoso. Passado e presente alternam-se na estrutura dramatúrgica, através de flashbacks e  avanços no tempo. A história de duas amigas é apenas o ponto de partida para investigar o universo feminino e suas sutilezas. A rivalidade entre elas torna-se a mola propulsora para falar de questões fundamentais que afligem a todos nós: a natureza das relações amorosas,anseios, frustrações, realização profissional, maternidade, padrões de beleza,auto-estima, casamento, solidão... E, como os anos transformam nossas expectativas e sonhos. O texto faz uso do narrador em terceira pessoa, um recurso muito usado nos folhetins. Com um olhar crítico e  poético, aliadoa um humor ácido, o narrador é o mestre de cerimônias que conduzirá o publico através da saga dessas duas mulheres. Grande parte da ação se passa em Lisboa. A cidade é evocada durante todo o espetáculo como um arquétipo. O passado, aterra Natal, as raízes de todos nós. O início. Lisboa simboliza a ligação mais forte com nossos antepassados, laços afetivos e co-sanguíneos. Embora, Lívia e Marina não tenham nenhuma relação de parentesco, são tão próximas como duas  irmãs, rivais como inimigas de guerra, estão conectadas desde todo o sempre. Inexplicavelmente, pelo destino. A trilha sonora toca fundo na alma e serve ao enredo, iminentemente trágico e tragicamente cômico, como uma luva. “Obsessão” é um daqueles espetáculos difíceis de classificar, quando o riso e a emoção embaralham os sentimentos. “Obsessão” é o desdobramento de um trabalhado iniciado em 2006, com a montagem de “A Força do Destino”, adaptação de Carla Faour, do romance homônimo de Nélida Piñon. Dois anos depois, em 2008, Carla também adaptou para o teatro outro folhetim, “Nenê Bonet”, único romance deJanete Clair. Ambos os espetáculos com direção de Henrique Tavares. A montagemde “Obsessão” pretende aprofundar a pesquisa sobre o folhetim e o melodrama. 

Com trabalho voltado para a dramaturgia original contemporânea, Carla Faour e Henrique Tavares são dois artistas dos mais atuantes no teatro carioca.  São 17 espetáculos no currículo, a maioria textos inéditos de autores brasileiros. Ao longo dos anos, a dupla produziu espetáculos de destaque na cena teatral da cidade, sempre com grande acolhida do público eda crítica especializada.


Carla Faour é autora deduas adaptações literárias para o Teatro: A Força do Destino (2006) – baseada no romance homônimo de Nélida Piñon e Nenê Bonet (2008) – adaptação do único romance de Janete Clair. A Arte de Escutar, seu primeiro texto original, estreou em 2008 e alcançou sucesso de público e crítica. Com A Arte de Escutar, Carla foi indicada aos principais Prêmios do Teatro Carioca: Shell, APTR e Contigo de Teatro. O texto foi traduzido para o inglês com o título The Art of Listening e montado em Toronto, Canadá.  Em 2009, a convite da Editora Agir, do grupo Ediouro, escreveu a partir do texto teatral, seu primeiro romance: A Arte de Escutar. Em 2010 estreou Açaí e Dedos, sendo indicada ao Prêmio Contigo de Teatro 2010 – Categoria melhor autor. 


Henrique Tavares: Entre seus textos mais recentes estão“Epheitos Kolaterais - Novas Metamorfoses" (2010); “Cidade Vampira” (2005), em parceria com o escritor Fausto Fawcett; “Cine Teatro Drive-in” (2004), “Telecatch” (2002), indicado ao Prêmio Shell – Categoria Especial, além do aclamado Barbara não lhe Adora” (2000). Também dirigiu os seguintes espetáculos: “Cowboy” (2012) de Daniela Pereira de Carvalho, “Açaí e Dedos” (2010) e “A Arte de Escutar” (2008) de Carla Faour, indicado ao Prêmio Shell 2008 de Melhor Texto; “Inquieto Coração” (2008), de Eduardo Rieche, baseado na obra de Santo Agostinho e “A Força do Destino” (2006), de Nélida Piñon, eleito pelo jornal O Globo como “Um dos Dez Melhores Espetáculos do Ano”. Foi professor do grupo “Nós do Morro” e já ministrou aulas de dramaturgia e interpretação no SESC, na CAL, na UniverCidade e na SBAT. Atualmente, Henrique é autor da Rede Globo de Televisão, participa do coletivo de dramaturgos Drama Diário e é roteirista da série “Vampiro Carioca” do Canal Brasil.

Ficha técnica:
Texto: Carla Faour
Direção: Henrique Tavares
Elenco: Ana Baird, Antonio Fragoso, Carla Faour, Celso Taddei e Daniel Belmonte
Cenário: Henrique Tavares
Iluminação: Aurélio de Simoni
Figurino: Clara Rocha
Realização: Janeiro Produções Artísticas

Serviço:
Teatro Glaucio Gill – Praça Cardeal Arco Verdes / n°, Copacabana. Tel. 2332-7902
De 04 de maio a 04 de junho
Sexta a segunda – 21h
Ingressos: R$ 20,00
Duração: 80 minutos
Classificação Etária: 14 anos

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